sábado, 14 de março de 2015

Um desabafo triste

"Ontem acordei triste.

Acordei triste e não sabia bem a origem do sentimento. Na verdade, demorou algumas horas até eu perceber que a sensação estranha que eu senti desde que acordei era, na verdade, tristeza. 
Falar em tristeza é sempre um tabu, todos associam logo a um quadro depressivo, ou desilusão amorosa. Bem, tristeza não é isso, é apenas aquele estado inerte que o seu corpo se encontra. Não é nem alegria, nem decepção. Nem é euforia, muito menos confusão.
Acordei triste e ponto.

Ontem fez um belo dia de sol. A cidade estava resplandecente, o sol aquecia a todos, a brisa fria quase não deu as caras. Era o dia perfeito para pegar uma câmera e andar pela cidade sem destino certo, mas eu não o fiz. Peguei minha tristeza, o tablet com uma boa leitura, fones de ouvido e fui para a varanda de casa tomar sol nas pernas. 
O estado de tristeza não é de todo ruim, eu diria que é um estado contemplativo diante de tudo o que se tem vivido. Contemplativo por vários motivos que não sei explicar, mas para que entendam o que quis dizer: Não houve uma causa para a tristeza, nada em específico a causou, ninguém me magoou. Eu acordei triste.

Pensem bem: Ninguém é ao todo feliz. Ninguém vive plenamente feliz, e quem diz que assim vive, mente. Esse é um dos motivos por eu ter exposto isso aqui. 
Existem cerca de 7 bilhões de serem humanos neste planeta. A cada dia, muitos vão e muitos chegam, mas somos, basicamente, 7 bilhões. Somos um todo, e somos apenas nós (se é que me compreendem). Ninguém entre nós tem uma vida plena e feliz o tempo todo. Passamos por altos e baixos, e isso é algo que não deve ser motivo de vergonha; somos assim, somos humanos e nossa vida é composta por momentos tristes e felizes. Basta sabermos lidar com esses momentos.

Certamente não sou a pessoa mais equilibrada emocionalmente, aliás, não conheço ninguém que seja, mas eu, em especial, vivo numa constante luta interna para conseguir ser sábia em todas as minhas decisões e em tudo o que faço e ontem, aproveitei o momento contemplativo da tristeza e passei a refletir.
Agora não sei bem quem sou, não sei bem o que estou fazendo, nem mesmo qual a minha missão de vida. Existem 7 bilhões Natálias dentro de mim querendo saber as respostas de tudo o que passa comigo, de tudo a minha volta, do meu passado, meu futuro e o meu agora, mas eu, o todo, o conjunto de todas elas, não sabe.  

Mas então, o que fazer? Garanto que todas as respostas não pularão na minha frente de imediato, e muitas, talvez, levem anos até eu descobrir. Mas algo nisso tudo é certo: é preciso que se saiba que eu sou a dona das minhas próprias respostas. Sou a dona de todos os anjos e demônios que habitam dentro de mim, a dona de toda essa população de Natalias. Sou a pergunta e sou a resposta, sou a dúvida e a solução. Sou a luz e a escuridão, sou o tesouro perdido e sou a bússola, eu me perco e me encontro ao mesmo tempo. Sou a dona de mim, sou a minha melhor amiga, sou a minha melhor companhia, e o meu porto seguro."





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